✧ SEMPRE CONTINUAREI ESPERANDO

Ocean Waves - Studio Ghibli | Милые рисунки, Иллюстрации арт ...

Esperei. Talvez 10, 20 minutos tenham se passado. Não sei. Não posso dizer com certeza. Continuei esperando, olhando para os lados, esperando. Não só o ponto de ônibus, como a rua, estava deserto. Continuei esperando. Tentando ignorar a dor costumeira em meu estômago. Como se chamava isso? Acho que é fome. Sim, fome. Não posso afirmar com certeza, mas eu acho que é isso. Não sei, estou confuso e com sono.
Sentei-me na ponta, mas todos os bancos estavam vazios.
“Ele vai chegar”
Talvez seja a única coisa que tenha certeza, não só hoje, mas na vida. Ele sempre vinha. Esperei mais um pouco e, nesse meio tempo, carros começaram a circular pela rodovia antes deserta. Não estava mais sozinho, mas ainda assim, estava. Eles faziam barulho.
O ponto de ônibus começou a se encher, alguns idosos e alguns estudantes vestidos com seus uniformes. Ninguém se aproximou de mim, eu era um estranho e fedia.
Mais algum tempo se passou, eu não sei quanto, mas sei que passou, pois o ponto encheu-se e esvaziou-se e, mesmo assim, ninguém olhou para mim. Talvez eu devesse tirar um cochilo, afinal, eu acordei cedo para chegar até aqui. Quando ele chegasse, iria me acordar. Tenho certeza.
Dormi. Talvez 20, 30 minutos tenham se passado. Não havia mais estudantes no ponto.
“Será que ele não vem?”
Não. Ele sempre vinha. Irei esperar mais um pouco.
Esperei. Observei, nesse meio tempo, o céu mudar e o calor se intensificar. Meu estômago ainda doía.
Resolvi desistir. Hoje ele não viria.

Demorei um pouco para chegar em casa. Era longe do ponto onde eu ia toda manhã, era uma longa caminhada. Eu sempre fico com medo de deixar Zitao sozinho, mesmo que ele tenha 12 anos. Era o meu único parente, sem ele eu estaria totalmente solitário e abandonado. Não gosto de ficar sozinho.
Mas minha maior decepção é que eu não traria nada para Zitao hoje já que ele não veio. Por que ele não veio? Gostaria de saber responder.
Dei cinco batidas na porta e esperei. Eu disse a Zitao para nunca abrir a porta para estranhos, mas sempre que ele ouvisse cinco batidas seguidas, ele poderia abrir. Seria eu.
Zitao apareceu à porta, com um sorriso e me perguntou algo que partiu meu coração.
— O que trouxe hoje? Estou com fome, hyung.
Seus olhos eram confusos quando ele notou minhas mãos vazias. Eu não trouxe nada.
— Ele não veio hoje, Tao. Sinto muito, mas o hyung dará um jeito. Não te deixarei com fome. — falei com incerteza. Eu não tinha ideia do que faria para nos alimentar.
Zitao não tinha escola hoje, então ele comeria em casa. A merenda do colégio era um alivio para mim, mesmo que não fosse o suficiente para um guloso garoto de 12 anos. Mas Tao conhece nossas limitações.
— Está tudo bem, hyung! Nem estou com tanta fome assim... — eu sei que ele só falou isso para me confortar, mas esses momentos só reforçavam o quanto que eu me sentia inútil. Eu era seu responsável e deveria poder, pelo menos, colocar comida na mesa. Mas eu fui demitido três meses atrás. Trabalhava em um mercado de rua e, por algum motivo não dito, eles me botaram para fora.
Eu era o melhor funcionário.
Ainda estava do lado de fora, por isso, pus a mão no ombro de Tao para que nós entrássemos. Fechei a porta.
— Deixe disso, eu darei meu jeito, sim?
Tao fez que sim com a cabeça, a fome falava mais alto do que nós dois.
Após isso, ele enfiou-se dentro do quarto. Provavelmente assistiria televisão.
Zitao era meu primo por parte de p- por parte do homem que me pôs no mundo. Seus pais morreram em um acidente e ele veio morar comigo e minha família quando eu tinha nove e ele três anos. Nossas famílias vieram da China há muito tempo.
Minha família nunca fora do tipo amorosa e unida. Eles nunca gostaram de mim e nunca me desejaram, eu fui um completo erro para eles e a chegada de Tao em nossa casa só piorou tudo. Até que quando eu tinha catorze anos, eles me descartaram de vez junto com Tao. Eu não fui à escola desde então, mas sempre lutei para Zitao fosse, e ele dava resultados, era muito inteligente. Tenho orgulho.
Sem o meu segundo grau completo, não posso trabalhar de verdade. Vivo em trabalhos informais que não geram muito dinheiro e sempre falta. Não tomo muitos banhos para evitar gastar água. Moramos em uma casa cedida por um vizinho, acho que ele teve pena de nós, mas eu agradeço muito a ele. Só temos uma televisão; uma geladeira e fogão velhos; um sofá duro; e mais algumas outras coisas básicas em nossa pequena casa; que não passa de três cômodos. Temos um quarto – que eu divido com Zitao, uma sala/cozinha e um banheiro. E eu agradeço muito, por um tempo nem isso nós tínhamos.
Desde que fui despedido, venho lutando a qualquer custo para conseguir dar o que comer a Zitao, nem me preocupo comigo. Eu sei que posso esperar, mas ele ainda é uma criança. Meu desespero às vezes me leva a cometer alguns furtos, nada graves, os quais eu não me orgulho. Ou eu vou me humilhar e saio na rua pedindo algum dinheiro. Não é como se me dessem, eu conseguia muito pouco, mas eu continuava me virando.
Em uma dessas manhãs de humilhação, eu o conheci. Vestindo seu uniforme de ensino médio e um rosto emburrado. Me aproximei e lhe pedi dinheiro. Ele não pareceu se compadecer com minha história no começo, mas então ele falou:
— Qual o seu nome? — sua voz era embolada.
— Luhan. — respondi tímido. Eles nunca falavam comigo.
— Sehun. — se apresentou e estendeu sua mão, a toquei incerto e o observei pegar algo em sua mochila. Primeiro, ele tirou uma sacola e depois algumas cédulas de sua carteira. Me entregou tudo depois. — Luhan, apareça aqui amanhã, ok? Esse é o meu ônibus. — apontou para o ônibus que se aproximou. — Eu tenho que ir agora.
Então Sehun entrou no ônibus, antes mesmo de eu raciocinar ou de lhe dizer obrigado. Fui para casa feliz e guardei o lanche para quando Zitao chegasse. Comi um pouco para saciar minha fome e guardei o dinheiro para depois. Eu não era burro.
Sehun e eu nos encontramos toda manhã quando ele vai para o colégio nesse mesmo ponto. Ele traz comida, roupas, dinheiro e até me ajuda com empregos. Ele é rico e eu não entendo o porquê de ele estar toda manhã nesse ponto de ônibus público.
Mas Sehun é um mistério. Diferente dos mocinhos ricos que assisto nos dramas. Ele tem um ótimo coração e eu sou muito grato a ele, apesar de não ter certeza sobre qual o motivo dele me ajudar tanto. Eu nunca perguntei, mas essa era só mais uma de tantas coisas as quais eu sou ignorante.
De qualquer forma, Sehun não viera hoje e, apesar de que eu nunca saberei o motivo, continuo me perguntando porquê. Ele nunca falta, nunca mesmo. Não consigo deixar de esconder minha decepção. Não só por toda a ajuda, mas também pela falta que ele faz. Sehun é meu único amigo. Tirando Tao, eu estou sozinho.
Seria um longo sábado e eu teria que me virar, senão seria mais um dia em que faltaria comida em nossa mesa. Mais um dia em que eu e Tao seriamos miseráveis.

Hoje ele não viera, mas eu tinha esperanças sobre o dia de amanhã.

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escrevi isso tem uns dois anos, nem sei o que essa história quer dizer, mas entre deixar ela na geladeira sem previsão de futuro, prefiro postar aqui para vocês. 
feliz ano novo!

To Jonghyun: my last goodbye.

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8 de abril de 1990 - 18 de dezembro de 2017

I can´t really name the things that I'm feeling right now. Is it sadness? Is it guiltiness? I really, really don’t know, but I’m so sorry. I cried the whole day yesterday and I’m still crying. It hurts. Everything seems so unreal. I never knew you were suffering, but I’m so sorry, so sorry. I’m sorry that this happened to you and that the world that we live is ugly and dark. I hope there’s no darkness around you anymore, please just be okay, not for me or your fans, neither your family, but only for yourself. You deserve this, deserve to be okay, to rest in piece and I really hope that you’re getting what you deserve.
I promise you that I will pay more attention now, read the signs between the lines. I have friends that need me now and I will take care of them, I will. I promise you that I won’t hurt myself anymore either. I promise you that eventually I will stop crying.
I’m not a religious person, but if there’s is a place after death, I want you to be there. I hope that everyone who loved you are okay and I hope they will find their piece too.
Thank you, Jonghyun, for being an amazing person. Thank you. I won’t remember you as “the guy who killed himself”, I will remember as the talented artist and a wonderful human being. There are so many great things about you that I won’t let people forget it. I’ve always admired you. You will never be forgotten.
Thank you! Thank you! Thank you for trying, thank you for surviving, thank you for your life.
I love you, Jonghyun.
Goodbye. 

THE BEST OF DISNEY | I PROMISE YOU

TW: Essa história contém descrição de automutilação e palavrões. 


Segunda-feira, 7 pm.

— Porra.
Um resmungo é dito bem ao meu lado enquanto o garoto, dono de uma boca suja, observa com uma expressão de puro terror, o sangue que jorra diretamente de seu pulso e escorre pela pia, indo em direção ao ralo.
— Porra.
Ele repete, desesperadamente, tentando tatear a toalha de mãos, que normalmente localiza-se ao lado do espelho, para coloca-la sobre o sangramento, enquanto mantém os olhos fixos na água avermelhada – o vermelho de seu sangue. Quando seus dedos finalmente a encontram, ele a agarra e, usando a água fria para amenizar a dor, amarra a toalha sobre a ferida.
Ele suspira, tentando racionalizar a situação, enquanto uma dor aguda queima o seu pulso. Merda, ele pensa. Os olhos grudados no sangramento que não parece querer cessar, todas as suas tentativas seguiam sem sucesso notável.
Eu confesso que tenho um pouco de culpa nisso, talvez a minha presença somada com a impulsividade de Nick, tenha resultado em tal atitude. Porém, reconheço que não fui eu quem pegou a lâmina e a levou até a sua carne. Sobre isso, não posso me considerar culpado, apenas assistir a situação se desenrolar.
Ao que Nick finalmente se acostuma com a dor, ele se prontifica a procurar pelo kit de primeiros socorros, que ele sabe que os Smith têm em todos os banheiros da casa, como lhe foi dito no primeiro dia em que pisou ali, há um mês. Com uma expressão perdida, ele busca a caixa dentro do armário, prateleira por prateleira, até que a encontra. Lá dentro tem: algodão, gazes, ataduras, álcool, soro, esparadrapo, pomadas, tesoura, band-aid e mais alguns materiais que todo tipo de kit de primeiros socorros possui, mas que não são relevantes para nossa história.
Para começar, Nick retira uma porção de algodão e o molha no soro, passando este, logo em seguida, sobre o corte. O contato repentino o faz contrair o corpo brevemente. Ele limpa o máximo que pode e, então, pega a gaze, atadura e o esparadrapo, pronto para fazer o curativo.
— Isso deve servir, por ora — diz, encarando o curativo improvisado. E, olhando para a bagunça que está a pia, e a dor em seu braço, diz, a plenos pulmões para seu reflexo no espelho: — Eu nunca farei isso de novo.
Com isso, ele pega a lâmina que deixou sobre a pia e tudo o que usou para o curativo, desprezando-os no lixo. Nick apaga as luzes e sai do banheiro. Sua nova família o espera para jantar.


Durante o jantar, eu estou ali. Sentado bem ao lado de Nick, fazendo-o companhia. Tudo é muito silencioso, o que me entedia um pouco, apesar de tais pensamentos serem incaracterísticos.  O cheiro de comida caseira permeia o ar, enchendo a sala e dominando o incenso que a Sra. Smith acendeu um pouco antes de descermos.
Eu sei que Nick está com fome. Seu corpo se revira, o implorando por comida, mas ele, tentando ao máximo fugir do momento em que se encontra, sentado à mesa com a família feliz: papai, mamãe e seu filhinho; coloca pequenas porções de comida em seu prato e as engole, sem mastigar, impedindo seu paladar de apreciar o que, talvez, seja um delicioso bolo de carne.
Nick também reconhece os olhares apreensivos que estão sendo direcionados a si, principalmente ao curativo em seu pulso que, a essa altura, já começa a se avermelhar. Mas ele ignora tudo. Os olhares, a dor e a mim.   
Me machuca muito ver o quanto que ele se esforça para se manter ignorante a minha presença. Nick e eu nos conhecemos há muito tempo. Eu fui o seu primeiro amigo, aquele que sempre esteve junto a ele, e como ele me trata hoje? Com pura indiferença. É difícil não levar para o pessoal, eu tento. Parece que essa é uma resposta natural, justificável a minha presença, por isso, eu entendo.
Os Smith não entendem.
Por mais que não compreendam Nick e suas ações, eles já não tentam mais conversar durante o jantar, pois sabem que é um plano idiota e que o garoto negará qualquer possibilidade de diálogo antes mesmo de abrirem a boca. Assim, nós temos essa atmosfera tensa, onde todos prendem as respirações e se recusam a saltá-la, pois temem que o ar acabe penetrando um território inimigo, perigoso.
Veja bem, o meu amigo Nick foi adotado temporariamente pelos Smith, há um mês. Ele já está acostumado a pular de casa em casa, passar dois meses com uma família, cinco com outra e quando uma pessoa se habitua a ser jogada de um lado ao outro, ela entende que é desprezível e que não pertence a lugar nenhum.
Nick não pertence à família Smith e nunca pertencerá. No momento em que entrou pela porta de madeira pela primeira vez, ele soube que deveria parar de se enganar. Ninguém o queria.
E ele sabia de muitas coisas. Essa era uma delas.
— Já terminei. Vou para o quarto. — diz ele, evitando pronunciar aquela pequena palavrinha que possui o poder de estragar tudo: meu.
Nada é lhe dito, mas ele entende que pode se retirar.
Nick sobe a escada a passos largos e eu estou bem ao seu lado.

Ele fecha a porta com força. O estímulo ressoante que fez ao fechá-la, ecoa através do quarto naturalmente tranquilo. Ele caminha até o colchão, empurrado perigosamente contra a parede, e observa seus pertences escassos empilhados sobre ele. Uma mochila repleta de papeis para aquarela, vários pincéis, tintas em frascos, um canivete, um caderno, e uma escova de dentes. É tudo o que ele possui propriedade para chamar de seu, verdadeiramente. A luz fragmentada que entra pelas janelas reflete em um tom alaranjado sobre os objetos. Nick, simplesmente por não ter o que fazer, põe tudo novamente dentro da mochila.
Faz muito tempo desde que ele tocara nesses materiais, céus, faz muito tempo desde que ele pensara em algo concreto, senão toda a bagunça que estava a sua mente. Nick não se considerava um artista, mas ele gostava da forma como a arte o fazia se sentir melhor consigo mesmo, e como as cores o faziam esquecer, por um breve momento, o mundo exterior. Um mundo que um dia já fora repleto de cores, mas que agora está desbotado.
A cama está vazia.
Ele rasteja sobre ela, apoiando-se com o cotovelo direito até a extremidade próxima à parede, e deita na cama. Não há nada que ele possa fazer agora, além de deixar que as minhas palavras encham sua mente com pensamentos habituais. Nick suspira, balançando a cabeça, ele tenta não me ouvir.
É um tolo.
Ele olha para o curativo em seu braço esquerdo, terá que renová-lo daqui a algumas horas. Nick realmente não sabe o que tinha em mente. Por que diabos causar mais dor, propositalmente, resolveria as coisas?
Ele leu sobre isso na internet uma vez, sobre como as pessoas se automutilavam para substituir a dor emocional pela física em uma tentativa de conforto ou qualquer merda dessa. Bem, sua mente ainda doí, juntamente com o seu corpo. Tudo o que ele fez foi dobrar a dor que já estava presente ali e ele se sente ainda pior.
De repente, um barulho em sua janela o desperta de seu transe. Por impulso, Nick vira-se para a fonte do barulho para saber o que, ou mais especificamente quem, o causou.
É aquela garota, de novo. Ela me dá nos nervos.
Nick levanta, hesitante, mas ela bate com força contra o vidro, como se dissesse “ei, abre logo essa porra!”, ele entende o recado e faz o que lhe foi pedido. Ela entra, intensa como uma tempestade.
 — Qual é a porra do seu problema? — ela grita, furiosa.
 Nick permanece atônito por uns segundos, incomodado com a mudança radical da atmosfera do ambiente. Ela o encara, olhos perscrutadores, tentando adivinhar o que ele tem a dizer, ela está pronta para a briga, mas tudo o que recebe é um frio “Selena”.
Ah, Selena.
 — Você devia ir embora. — ele diz, recompondo-se, inexpressivo, e volta para a cama, como se ela não estivesse ali, como se ela não fosse ninguém. — Os Smith não vão gostar de ter você aqui, invadindo a casa deles e gritando como uma louca.
Desta vez, é Selena quem fica sem palavras, imóvel até para tentar se defender. Ela veio pronta para a briga, para gritar, mas não para isso, esse tipo de tratamento, como se ela não tivesse valor ou nem fosse digna do tempo de Nick.
Talvez ela não seja. Para mim, ela não é.
— Vá se foder! — ela diz, a voz fraca e tremida, incapaz de olha-lo nos olhos. Toda a sua atitude foi derrubada por simples palavras. — Vá- se foder... você... não pode simplesmente chegar aqui, e tentar ser meu amigo quando eu não dava a mínima para você e, a partir do momento em que eu fui honesta, me ignorar e me tratar dessa forma... Eu- — ela dá uma pausa e respira fundo — não vou deixar que mais um homem entre na minha vida e foda tudo, tá legal? Foda-se você e a merda dos seus problemas!
Nick ainda mantem a expressão vazia, enquanto olha a parede azul, tentando ignorar tudo o que lhe é dito. Ela espera por alguns segundos, lágrimas rolando sobre sua bochecha rosada, mas quando ele não a olha, Selena dá uma risada amarga e vira as costas, saindo pelo mesmo lugar por onde entrou.
Meus amigos, que espetáculo! Há muito tempo que não via uma cena tão dramática e gratificante como essa, porém, se tratando do meu amigo Nick, eu já deveria estar acostumado.
Muito tempo se passou até que ele finalmente saiu de sua inercia, movendo apenas a cabeça para encarar, sem nenhuma expressão, o lugar por onde Selena saiu.
A falta de expressão, para os ignorantes, poderia não significar nada, apenas que Nick era um cretino sem coração. Mas eu conheço o meu amigo muito bem e sei quais são as emoções escondidas por trás dessa fachada de garoto frio.
Nick sabia muitas coisas. Porém, o amor sempre lhe foi uma incógnita impossível de ser resolvida. Para ele, o amor só poderia significar uma dessas coisas: 1) uma mentira inventada pelo homem para alimentar seu próprio ego ou 2) um privilégio que ele, em seus breves dezessete anos de vida, nunca conheceu.


Um mês antes.

Os Smith eram a sétima família a acolhê-lo em 3 anos.
No momento em que Nick colocou os pés naquela casa, ele soube que não era bem-vindo ali. Talvez pelos sorrisos forçados da Sra. Smith ou os olhares de indiferença que o filho mais velho do casal, Benjamin, lhe lançava sempre que possível. De qualquer forma, Nick já estava acostumado com esse tipo de tratamento, então ele só faria o que sempre fez: ficar na dele e esperar que tudo acabe.
No primeiro dia, ele passou o dia inteiro trancado no quarto junto comigo, olhando para as paredes, tentando me ignorar, até que a Sra. Smith bateu em sua porta, com aquele maldito sorriso, e lhe disse que Benjamin se oferecera para apresenta-lo ao bairro. O primeiro pensamento de Nick foi negar e voltar à cama, mas ao vê-la parada à porta, cheia de expectativa, ele aceitou.
Um ponto a menos para mim.
Contudo, o “passeio” não foi tão ruim. Benjamin não era tão ruim, apenas mais um adolescente comum. Ele mostrou o bairro e algumas localizações importantes, apresentou os vizinhos e foi basicamente isso. Benjamin era muito falante, e irritante, sempre com um comentário a acrescentar sobre alguém ou uma história para contar. Confesso que as histórias, ao menos, me animaram, sempre fui muito curioso. Nick não pareceu prestar atenção em nada do que Benjamin disse, mas, ao voltarem para casa, ao por sol, Nick, de repente, sentiu-se interessado.
Tudo pela maldita garota.
No outro lado da rua, uma garota saia de um carro, usando óculos escuros e fones de ouvido. Quase não se via de seu rosto, além de sua pele branca e lábios vermelhos. Nick, provavelmente, está a encarando por tempo demais, que até Benjmin nota.
— Selena. — as palavras escapam dos lábios de Benjamin ironicamente. Ao ouvir o nome desconhecido, Nick se vira para encara-lo. — Interessado? Se você for lá agora, imediatamente ela fica de joelhos para te chupar. É o que putas fazem.
O problema é que Nick está interessado.
Dois pontos a menos para mim.


Duas semanas antes.

O primeiro dia no colégio é um inferno. Minha presença nunca esteve tão forte. Nick, por ser o único aluno a se transferir 2 meses após o início das aulas, é o centro das atenções.
O garoto novo, órfão, e que mora com o Benjamin. 
As pessoas nunca o chamam por seu nome.
E, é claro, como em todo clichê adolescente, ela está aqui.
Selena.
Eles se veem de vez em quando. A este ponto, ela já reconheceu sua presença como o cara-que-está-morando-com-os-Smith, mas mantem-se indiferente, sem lhe dar importância.
Nicholas está ainda mais interessado. Ele logo descobre, porém, que Selena tem uma má reputação. Como lhe dissera Benjamin, certo dia, depois da aula:
— Todos do time de futebol já foderam ela. Selena é a maior vadia dessa cidade.
Nick tem suas dúvidas, duvidas estas que se dissipam completamente quando ele, escondido sob as arquibancadas do ginásio, vê Selena passar correndo, chorando.


Sábado, 8 pm.

Um fato engraçado: sempre que Nick via Selena pelo colégio, ela parecia estar na merda. Dessa vez, não foi diferente. Ele havia se arrastado da casa dos Smith até o colégio para “participar”, muitas aspas em participar, por favor, do festival de arte do semestre. Os alunos ditos “artistas” se reuniam pelas áreas do colégio para apresentar seus mais novos portfólios aos outros alunos, professores e pais. O festival também conta com comida, música e todas essas merdas que não são importantes para a história. E que eu não dou a mínima.
Desconfio que a única razão pela qual Nick saiu de casa foi para tentar me ignorar, de novo. Em todos esses anos de convivência ele nunca aprendeu que é justamente quando ele está cercado de pessoas que minha presença se torna mais viva e poderosa.
Pobre Nick.
Pois bem, conhecendo-o, eu sabia que ele tentaria se manter afastado de tudo o máximo que pudesse. Ele até cogitou tentar conversar com os alunos e discutir suas obras, mas resolveu só ficar quieto, observando.
É uma noite fria.
Quando ele já havia visto quase tudo, suas pernas começaram a andar no modo automático, ele já não tinha mais concentração. A única coisa que sabia é que não podia ir embora, não ainda.
Vagou solitário pelos corredores, muita coisa ainda lhe era desconhecida, até que chegou ao campo de futebol. Era imenso, o triplo do de sua escola anterior. Toda aquela imensidão o fazia se sentir pequeno demais. Mais do que o normal.   
Ao longe, Nick pôde ver uma silhueta, a harmonia entre sombras e formas que ele conhece bem. Sentada no meio do campo de futebol, Selena tem a cabeça virada para baixo, com um cigarro em mãos.
Nick permanece parado por uns 5 minutos decidindo se deveria se aproximar ou não, se valia a pena falar com ela ou não, se perguntar se ela estava bem era algo aceitável ou não. Com uma respiração profunda, ele acalmou os nervos e caminhou até que a figura de Selena se torna nítida.
— Isso é uma boa ideia? — ele diz, tentando ao máximo não surtar e sair correndo da situação desconfortável que é a interação humana.
Instantaneamente, Selena levanta a cabeça, seu estado é deplorável.
— O que você quer?
— Ah, o cigarro... Os professores... — ele tenta recuperar a coragem para se explicar, mas ela já foi embora, em seu lugar, uma velha amiga faz o coração de Nick bater forte e seus ossos tremerem. — Desculpe...
Um silêncio se faz presente, mas não para mim. Eu ainda consigo ouvir os batimentos de Nick se tornarem cada vez mais altos e rápidos.
Selena dá uma tragada no cigarro, mas eventualmente, o apaga e com um dar de ombros, murmura:
— Você tem razão.
Nick respira, um pouco mais à vontade.
Está tudo bem. Ele tenta convencer a si mesmo.
Não, não está. Lhe digo o contrário.
— Me desculpe... Eu... vou embora- te deixar sozinha...
— Você é o garoto que está morando com os Smith, certo? — ela o interrompe, seu olhar perscrutador nunca deixa Nick em paz. 
Ele já ouviu aquela pergunta um milhão de vezes e ela sempre causou certo nível de irritação. Eu tenho um nome, porra! Ele quer gritar, mas as palavras mantem-se presas em sua garganta. Todavia, quando Selena as disse, ele conformou-se. Nick já está acostumado a ser só mais um garoto, uma estatística. É a pura verdade.
— Você vive me encarando. — ela continua, ignorando sua falta de resposta. — Nas aulas, no colégio, até mesmo pela janela do seu quarto.
Ao ouvir este último, Nick arregala os olhos.
— Como?
— Eu sou muito observadora... — seus olhos pareciam devora-lo vivo.  — O que você quer?
Sua pergunta pode parecer vaga, mas seu tom é sugestivo, eles sabem muito bem do que estão falando.
— Você tem o costume de achar que todo mundo te olha por que quer ficar com você?
— Eu não acho. É o que acontece.
Silêncio.
— Você quer ficar comigo?
— Não.
— O quê?
— Eu te acho bonita, gosto de seus traços. É isso.
Silêncio.
— É, eu não sei lidar com isso.
— O quê?
— Eu costumo usar minha boca para outras coisas.
— Então é verdade?
— O que você acha?
— Eu não sei. Não te conheço.
— É verdade... Fiz tudo o que falam. Mas eu não me importo.
— É?
Silêncio.
— Não.
— Se você diz...
Nick se senta ao lado dela.
Silêncio.
De repente, Selena se inclina para beija-lo, Nick recua, assustado.
— O que está fazendo?
— Eu sei que você quer isso. Todos os caras querem. Eu sei.
Ela tenta abrir as calças dele, e já estava quase conseguindo quando Nick se levanta.
— Pare com isso! — ele diz, alto o suficiente para ela congelar, olhos fixos nos seus por alguns segundos até irromperem em lágrimas.
— Desculpe. — ela diz, soluçando. — Desculpe...
E com outras dezenas de desculpas e mais alguns “está tudo bem”, eles passam a noite de sábado juntos.
3 pontos a menos para mim.


Segunda-feira, 8 am.

No fim da primeira aula, Selena vai falar com Nick em seu armário.
— Oi. — ela diz, sorrindo.
— Oi...
— Eu só queria... agradecer, sabe? Você foi bem bacana comigo no sábado e eu... só queria agradecer... Eu ia mandar mensagem, mas achei que seria melhor falar pessoalmente...
— Ah... Ok...
— Então, com quem você vai almoçar? Podia vir para minha mesa, se quiser...
— Ah...
Todos os olhares estão sobre ele. Sussurros. Risadas.
— Você está bem?
Silêncio.
— Nick?
— Me desculpe... Eu tenho que ir.
E ele sai correndo, deixando-a parada em frente ao seu armário sem entender nada.
3 pontos a mais para mim.


Segunda-feira, 9 pm.

Eu vou me arrepender disso, Nick pensa, respirando fundo.
Sim, você vai. Eu o digo. Por isso mesmo, você deveria voltar, agora, enquanto há tempo. Por um momento, eu sinto que quase consigo convencê-lo a desistir daquela ideia estupida e dar meia volta, mas então a porta é aberta. Uma senhora de meia idade – nada simpática – está trás dela.
— Ah... boa noite! Selena está? — ele pergunta a senhora e xinga-se logo em seguida. Que tipo de pergunta foi essa? Eu deveria me apresentar e explicar o porquê estou aqui e não simplesmente chegar na casa dos outros e exigir coisas... Eu não posso...
Mas a senhora simplesmente diz:
— Lá em cima.
E lhe dá as costas. Nick fica alguns minutos parado, incerto, mas entra.
O que você pensa que está fazendo? Não vê que isso é perda de tempo?
— Cala a boca! — ele murmura, o tom firme demais para o habitual.
Nick me mandou calar a boca?
Ele sobe as escadas, sem prestar atenção no ambiente ao seu redor. Ao chegar no primeiro andar, ele se depara com um corredor extenso, duas portas em cada parede. Só aí ele percebe que além do primeiro andar, ele não tem mais nenhuma informação sobre qual seria o quarto de Selena.
Parabéns, Nick. Você está indo muito bem.
Ele, mais uma vez, consegue ignorar o meu comentário e resolve tentar a sorte.
— Aquela última, talvez?
Sem nada a perder, ele segue até a última porta da parede esquerda. De frente a ela, sua coragem novamente tenta desaparecer, mas ele se agarra ao último resquício que tinha dentro dele e bate na porta. Seu primeiro toque é ignorado, ele tenta de novo e é recebido quase que imediatamente por um grito:
— Eu já falei que não vou jantar, vó-
Selena pausa quando abre a porta e vê Nick, sua face se endurece.
— O que você quer?
Nick está preparado, ele respira fundo e relembra de todo o monologo que criou em sua cabeça no momento em que Selena pulou a janela do quarto na casa dos Smith.
— Eu não sou muito bom em lidar com pessoas, está bem? Quando são desconhecidas, é mais fácil para mim, porque eu não tenho que ter nenhuma responsabilidade, sabe? Mas, a partir do momento em que elas tentam chegar perto, eu surto porque eu já não sei o que fazer. E foi o que aconteceu hoje... é isso.
Ok, isso saiu bem pior do que eu pensava.
Selena suspira.
— Jesus, eu só te convidei para almoçar... não foi um pedido de casamento...
— Eu sei, eu sei...
Selena suspira de novo, passando a mão no rosto, e as descansando na cintura.
— Entra, Nick.
— O quê?
— Eu preciso repetir?
Parecia ter se instalado algum tipo de paz momentânea no ambiente, e para não a perturbar, Nick aceita e entra no quarto, observando Selena fechar a porta. Ele acaba parado ao lado da porta, desconfortavelmente, seus olhos nunca deixam de seguir Selena que anda sem rumo, as mãos apoiadas na cintura.
— Sabe aquela conversa que tivemos? Depois que eu tentei te assediar? Ela me fez refletir muito e eu comecei a perceber algumas coisas. Por exemplo, eu cogitei que talvez nem todos os caras fossem uns babacas que só querem sexo só porque você é uma exceção, um cara legal. E conversar com você naquele dia me fez bem. Porque foi a primeira vez que fiz algo assim. Eu tenho muitos problemas na minha vida que me fodem para caralho e dá para notar que você também tem. Por isso eu pensei: talvez ele só precise de um amigo. E, sei lá, eu também não sei lidar com essas coisas, então tentei do meu jeito... Quando você me rejeitou, eu me senti da mesma forma que me sinto sempre que estou com um cara, ele me fode e então vai embora. Por um momento, eu tenho atenção, eu sinto os toques na minha pele e minutos depois, eu não tenho nada. Fico vazia. — pausa — Talvez tudo não precisasse ser tão triste se eu tivesse alguém para contar... Sei lá! Eu tô falando muito?
Ela para de andar de um lado ao outro e se aproxima da cama, jogando-se sobre ela e brincando com o babado de seu travesseiro. Envergonhada demais para falar algo, de novo.
— Você deve achar que eu sou intensa demais, né? A gente se conhece há um dia e eu já estou jogando as minhas merdas em você...
— Não, eu só... não pensei que você se sentisse assim...
— É. Ninguém pensa.
— Eu não sei o que dizer agora...
Selena deixa o travesseiro de lado, focando a atenção em Nick, e pergunta, de forma firme:
— O que você acha de mim?
— Eu já disse... Não te conheço, mas acho que você tem traços bonitos.
Isso é o suficiente?
— Não acha que sou uma puta louca?
— Acho que você é uma pessoa... tentando lidar com suas emoções como qualquer outra.
— É, talvez eu seja...
— Eu quero ser seu amigo, Selena. De verdade.
— Verdade?
— Sim.
Ela suspira, os dedos alcançando novamente o babado do travesseiro. Em sua presença, Selena sempre consegue se mostrar vulnerável, ao contrário da personagem que ela é no colégio.
— Talvez um dia eu possa te contar por que eu faço o que faço. Não hoje. Não amanhã. Um dia. Você é uma pessoa legal, Nick.
O coração de Nick bate forte em seu peito, mas não porque seus sentidos lhe alertam o perigo, Nick está à vontade. Selena era fascinante, mas ele não sabia bem o porquê. No momento em que a viu, ele quis estar perto dela, conhece-la. Para ele, Selena era muito mais do que uma menina com uma má reputação. Ela era uma pessoa, assim como ele.
Nick não era só mais um menino órfão, ele era Nicholas Jonas, uma pessoa real.
— Talvez um dia eu te conte a minha história também. — ele diz, o tom suave se aproximando da cama de Selena e sentando-se na borda.
— Você promete?
— Eu prometo.
Nick sabia muitas coisas. O amor não era uma delas, mas é o que dizem, certo? Ninguém nasce sabendo. Para se chegar até o Z, é preciso começar pelo A, e então passar por todas as outras letras do alfabeto. Talvez, ele ainda esteja aprendendo o B, mas para quem esteve durante toda a vida preso ao A, esse pequeno passo já é uma grande mudança.
Ele só precisa se permitir.
E, talvez, eles possam fazer essa coisa funcionar, o que quer que ela seja, pois nesse momento, nasceu algo muito maior do eu jamais serei, a promessa da esperança, que me marca, me queima e me sufoca.
10 pontos a menos para mim.
Eu acho que o meu tempo com Nick chegou ao fim.

Outros Contos dessa coletânea:

PROJETO THE BEST OF DISNEY


I PROMISSE YOU | CONTO DE WIRES
Nick sabia muitas coisas. Porém, o amor sempre lhe foi uma incógnita impossível de ser resolvida. Para ele, o amor só poderia significar uma dessas coisas: 1) uma mentira inventada pelo homem para alimentar seu próprio ego ou 2) um privilégio que ele, em seus breves dezessete anos de vida, nunca conheceu.
Data de publicação: 15/10

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 06 DE OUTUBRO: 

IN REAL LIFE, DE MELODRAMA.
Uma jovem cirurgiã de trauma tem um grande dilema sobre sua vida amorosa. Ela foge de relacionamentos, mas tem um desejo de partilhar uma utopia amorosa. Vivendo em uma linha tênue sobre o que quer e do que ela tem medo. Talvez encontre alguém insiste o suficiente para realizar isso e quando menos espera.

WE OWN THE NIGHT, DE A DOR DA LIBERDADE.
Uma noite antes do próprio casamento Emma Roberts, uma professora do jardim de infância, descobre-se traída e, de coração e alma partida, decide que enfrentar uma noitada regada a muito álcool é a solução para todos os seus problemas. É claro, no entanto, que tudo deu errado: bêbada, a moça acaba precisando da ajuda de um desconhecido, que a acompanha em uma divertida jornada regada de lágrimas, tacos de golfe e leis infligidas enquanto se vingam do ex-noivo da moça e constroem um relacionamento nada solido baseado em uma teoria sobre azeitonas.

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 09 DE OUTUBRO: 

EVERYTIME YOU LIE | CONTO DE PARADISE FANFICS
Joseph é um garoto conhecido por sua má reputação, ele é um verdadeiro destruidor de corações! Demetria ignorou sua própria intuição sobre ele, os avisos dos amigos e deixou-se levar, gostando dele mais do que deveria. Ele tinha uma namorada antes de conhece-la, mas jurou ter esquecido Chelsea e acabou por ganhar as graças da garota. Três meses depois, ele termina o namoro com Demi por motivos nada convincentes e ela acaba fazendo uma grande descoberta! Não demora muito e Joseph quer voltar para ela, mas a garota toma uma decisão inesperada por parte dele e prova que diferente das outras, ela sabe enxergar a verdade por trás das mentiras.

REMEMBER DECEMBER / BLACK KEYS | CONTO DE BREATHELESS
Demi pensou que o que vivera com Joseph Jonas na adolescência era intenso e que seria para sempre, mas após Joseph terminar tudo, alguns anos depois, Demi se vê sozinha e desolada. Dois anos depois, Joseph está de volta à Londres, lugar onde conhecera a jovem, e volta pretendendo se redimir. A vida dos dois se encontra novamente, e Demi terá que escolher entre seguir com a sua vida sem Joseph ou render-se ao seu antigo amor.


CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 12 DE OUTUBRO: 

MAKE IR RIGHT / TURN IR RIGHT | CONTO DE EU AMO A MILEY CYRUS
Miley é casada há sete anos e está enfrentando uma fase de estagnação em seu relacionamento. Por causa do trabalho, seu marido, Liam, precisa viajar para passar o fim de semana no outro lado do país, acompanhado de uma secretaria bastante atraente, o que a deixa um tanto insegura. Ao mesmo tempo, a moça reencontra um amor do passado, Nicholas, que coincidentemente retornou à cidade após vários anos para passar apenas o final de semana. Será que o assunto do passado mal resolvidos poderiam levar Miley a cometer o erro do qual se arrependeria o resto da vida?

JUST FRINDS / INSEPARABLE | CONTO DE CRAZY KINDA CRUSH IN YOU
Nick é apaixonado por Miley há 3 anos anos, mas sempre foi muito tímido e nunca teve coragem de falar com ela, apenas se cumprimentam e nem é sempre. Até que um dia a melhor amiga dele, Demi, o encoraja a chamar Miley para ir ao baile de formatura com ele. Tudo dá certo e eles começam um caso, até que Nick recebe uma bolsa em uma universidade de Londres, de todas as universidades em que ele prestou vestibular, essa foi a única que o ofereceu bolsa completa e ele se vê obrigado a aceitar, isso pode estragar um relacionamento que está apenas começando. Será o fim dessa história?

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 15 DE OUTUBRO: 

THE DRIVEWAY | CONTO DE THIEF OF HEARTS
Miley tinha um sonho. Aparentemente impossível, que finalmente poderia virar realidade. O seu sonho de se tornar uma grande artista pop estava ao seu alcance quando uma proposta irrecusável de se mudar para Los Angeles surgiu, prometendo um contrato com uma grande gravadora e parceria com um empresário de renome. Mas nem tudo são flores. O seu primeiro e grande amor, Nick Jonas, continuaria para trás, junto com pequena cidade em New Jersey. Dentre tentativas de continuar com o relacionamento a distância e diversas brigas, o romance chega ao fim.Mas será que a mesma estrada que levou o amor da vida de Nick embora, também será a mesma que a trará de volta?

CONTOS QUE SERÃO PUBLICADOS NO DIA 18 DE OUTUBRO: 

STOP THE WORLD | CONTO DE WONDERLAND FANFICS
O casamento existe para vivermos ao lado da pessoa que nós amamos e que queremos construir um futuro. O casamento é uma união entre duas pessoas que estão comprometidas à fazer um ao outro crescer e se tornar melhor a cada dia. Demetria e Joseph começaram à namorar quando ainda eram adolescentes, eles tinham um amor no qual as pessoas em volta sonhavam ter. Os anos se passaram, eles se casaram e se tornaram adultos mas a vida à dois não é um mar de rosas, os problemas começaram aparecer e tudo é motivo para uma nova briga, o relacionamento deles está se desgastando à cada dia mais e aparentemente não há concerto para eles! Mas e o "até que a morte nos separe"? Um acidente inesperado cruza suas vidas para mostrar que o verdadeiro amor tudo supera.


GOT DYNAMITE | CONTO DE SECRETS
Demetria passou anos em um relacionamento queterminou de maneira desastrosa. Sem esperança no amor ela decide que vai aproveitar a vida e promete que nunca mais se entregá a ninguém. Para isso, ela criou barreiras em seu coração, onde nenhum homem pode ultrapassar, porém Joseph, amigo de trabalho que sempre foi apaixonado por ela, vai investir pesado para quebrar essas paredes e conquista-la. E então Joseph, Got dynamite?

o paraíso ilícito

Imagem de moon, sky, and purple

Naquele bairro sem nome vivia um velho bêbado. 
O bairro era famoso por seu engenhoso tráfico de drogas e prostituição. O lugar era pobre e em cada esquina você se deparava com uma casa de prostituição aonde jovens meninas e meninos faziam serviços a fim de ganhar dinheiro para sobreviver por mais um dia.
As pessoas, por sua vez, eram viciadas, prostitutas e pobres coitadas que até pelo diabo foram rejeitadas. O bêbado não se encaixava em nenhum caso. Talvez estivesse próximo dos viciados já que não fazia nada além de beber, afogava-se em álcool, perdendo toda a sua sanidade. Mas não, ele não era louco. Muito pelo contrário, o bêbado era a pessoa mais inteligente do Paraíso Ilícito, ninguém só não sabia porque ele bebia tanto. 
O velho bêbado também não tinha nome. Assim como seu bairro, ele era conhecido por sua característica mais marcante, o vício insaciável por bebidas alcoólicas.
Todas as manhãs, exatamente às 6:30, ele debruçava-se sobre o parapeito de sua janela com uma garrafa de whisky barato (e furtado) em mãos. Ele tomava um gole e observava as pessoas andarem pelas ruas e lhe encararem, olhares curiosos tentando desvendar o velho enigmático. Ele ficava ali, naquela mesma posição o dia inteiro ora bebendo, ora fumando.
Naquele dia, ao anoitecer, exatamente às 18:00, o bêbado já não estava mais debruçado por sua janela. Ele abriu a porta de sua humilde casa e sentou-se no degrau da escada e ficou a observar o curto fluxo de pessoas. Ele colocou a garrafa vazia de whisky no chão e acendeu um maço de cigarro, o tragou devagar e soltou a fumaça na direção da lua que estava linda e brilhante, mas incompleta, faltava uma metade.
Quando estava prestes a terminar seu cigarro ele notou um garoto escondido pela penumbra da noite atrás de um poste. Observo-o curioso, indagando-se o que estaria ele fazendo ali. Mas nada fez. Depois de alguns minutos, notou que o garoto continuava ali a o encarar, inquieto. Ficaram os dois então se encarando, sem dizer uma palavra até que o menino quebrou o silêncio entre os dois.
— Aqui é agradável à noite. — diz ele, revelando-se e o velho só o respondeu para não parecer mal-educado.
— Sim, mas eu não saio muito. Hoje é uma exceção.
O garoto se aproximou, um capuz cobria sua cabeça e ele tinha as mãos enterradas no bolso da calça como um adolescente. Pouco se via de seu rosto devido à má iluminação da rua e a visão do velho já não era a das melhores.
— Eu gosto de como a lua ilumina as ruas silenciosas, isso me traz paz.
O velho, por algum motivo desconhecido, talvez por causa do álcool em seu sangue que o tornava um bêbado melancólico, interessou-se pela conversa.
— É por isso que está aqui? Você procura por paz? É irônico dizer isso no Paraíso Ilícito, se tem uma coisa que essas pessoas não têm é paz.
— Eu apenas gosto da noite. Por que você está aqui então?
O velho suspirou, arrastou o traseiro pelo degrau e sinalizou com as mãos para que o garoto sentasse ao seu lado. O menino não hesitou, sentou-se ao lado do velho e esperou que falasse.
— Me deixe lhe contar uma história, criança. Há muito tempo havia esse professor, ele era muito inteligente e renomado. Entrou na faculdade com 16 anos e aos 28 anos já tinha tudo. Ele era convidado para palestrar em muitos países e tornou-se bem-sucedido muito rapidamente, casou-se com uma mulher linda e ele foi feliz por um tempo. Mas, como nem tudo são flores, ele começou a desandar. Era inteligente, mas não lidava muito bem com o estresse e então bebia para relaxar. Pelo menos essa foi a sua desculpa. Passou a beber mais e mais e quando sua esposa percebeu e começou a falar, ele a calou. Toda vez ele a calava com um tapa em seu rosto que a fazia se encolher de medo e a deixava sem coragem para olha-lo nos olhos por dias. Eles tiveram um filhinho, um lindo menino que ao ver o pai levantar o dedo para mãe, se metia entre os dois e apanhava por ela. Eles viveram assim por seis anos até que num dia como esse houve uma grande briga. A esposa ia embora e ia levar o menino com ela. O marido enfurecido não gostou nada disso, então agarrou a esposa e o filho e os enfiou no carro, saindo pelas ruas, dirigindo sem rumo e em alta velocidade. Ele ouvia os gritos da esposa e o choro do menino, mas a raiva dentro de si era tão grande que ele calou os dois com alguns socos. Logo não havia mais gritos e nem choro, logo não havia mais esposa e nem filho. O carro capotou, mas ele conseguiu se salvar. A esposa e o filho morreram e aquela noite foi a sua ruina. Ele perdeu sua família, sua dignidade e o seu futuro.
O velho contou a história com uma expressão vazia, ele tossiu um pouco e sorriu triste. O garoto escutava a história atentamente e ao ouvir o velho terminar, perguntou:
— Por que me conta isso?
— Bem, eu apenas quis lhe contar uma história, criança. Estávamos falando sobre paz, certo? Será que esse homem teve alguma paz?
— Espero que não. Ele não merecia, na verdade ele quem deveria estar morto e não a pobre esposa e a criança.
— Pode ter certeza que ele não teve uma vida fácil ou que sentiu alguma paz. Desde aquele dia ele se afoga na bebida, motivo pelo qual sucumbiu. Não existe mais esperança para ele, criança. Igual a esse bairro... Será que existe esperança aqui? Será que a vida das pessoas algum dia mudará? Elas estão fadadas ao esquecimento. Cada geração que nascer neste lugar já terá seu destino escrito, irão viver lutando e só morte poderá os libertar. Morrerão e serão esquecidos, suas vidas não têm valor. Igual ao professor, ele poderia ter tido uma vida brilhante e feliz, poderia ter feito uma diferença. Mas ele pecou e agora também será esquecido, como todos os moradores do paraíso ilícito. — O velho riu, abaixando a cabeça e balançando-a para os lados negativamente. Era tudo cômico para ele, o garoto não entendia.
— Você está errado! — O menino disse com certeza, o que fez com o que o velho arqueasse uma sobrancelha, surpreso por estar sendo contrariado.
— Estou? — Perguntou quase para si mesmo.
O garoto olhou para a lua e fechou os olhos que repentinamente pareciam pesados.
— Eu vou completar a sua história. Após o professor salvar a si mesmo e fugir, a mãe acordou e desesperada, conseguiu abrir a porta e empurrar o garotinho para longe, mas não teve tempo para salvar a si mesma e morreu quando o carro explodiu. O garotinho acordou sozinho, no meio do nada ao lado das chamas. Ele cresceu em orfanatos e era adotado por famílias horríveis, então ele fugia. Sempre que tentava dormir à noite, ele sentia o pai lhe espancar e ouvia o soluço suave da mãe. Ele só sentia paz quando a imaginava como uma estrela que o guiava e cuidava de si, mas as estrelas só apareciam a noite. Ele prometia a si mesmo que quando encontrasse com o maldito homem que estragou a sua vida, ele o mataria e somente assim ele encontraria a verdadeira paz que só a vingança podia lhe trazer.
O garoto viu o olhar do velho cair, mas ele se manteve firme.
— Eu imaginei que esse dia chegaria — o velho confessou, esfregando as mãos ásperas uma a outra.
— Já faz tanto tempo.
— 13 Anos. — O garoto disse com frieza. — Eu vim aqui com um proposito e eu desejo cumpri-lo.
O velho o olhou triste e disse:
— Nós vivemos em um mundo de deuses e monstros, você decide quem quer ser. Eu decidi ser um monstro e me arrependo até hoje. Só eu e minha garrafa de whisky sabemos como é doloroso. — O velho bêbado, e agora professor-pai, suspirou com melancolia. — Mas foram longos 13 anos sozinho, nessa casinha, enchendo a minha cara, tentando esquecer. Então faça o que veio fazer, não irei impedi-lo.
O velho levantou-se com dificuldade, pegou a garrafa vazia de whisky e contemplou a lua mais uma vez. Seu olhar se encontrou com o do garoto e ele lhe disse, a voz clara e firme:
— Bem-vindo ao Paraíso Ilícito.
O velho então se arrastou para dentro de casa. O garoto o seguiu, segurando um embrulho nas mãos. A lua continuava a iluminar, ainda incompleta, as ruas e as estrelas brilhavam. Tudo estava silencioso até que um disparo foi dado.